Na espuma dos dias e das
notícias, muito se perde. E, nas sociedades contemporâneas, não basta querer
ser informado para se ser realmente informado. É preciso separar o trigo do
joio, concentrarmo-nos no essencial e ter uma visão de conjunto que os órgãos
de comunicação social, marcados pelo imediatismo e, por que não dizê-lo, tantas
vezes pela ânsia do sensacionalismo, não nos transmitem. O objectivo deste
blogue é, de uma forma tão isenta e concisa quanto possível, pegar nas
quantidades colossais de informação solta com que somos bombardeados,
voluntaria ou involuntariamente, todos os dias, e transformá-la no mínimo
denominador comum, juntando as peças do puzzle. Tentarei, ao longo dos posts,
fazê-lo, com uma linguagem tão simples e clara quanto possível, para chegar a
todos.
A alguns este blogue poderá parecer, à primeira vista, mais um dos milhentos espaços de comentário político que inundam a internet, a televisão, e os restantes órgãos de comunicação social. Mas não é isso que pretendo fazer: enquanto os comentadores de tudo e mais alguma coisa pretendem formar opinião, colocando os outros a pensar como eles; o que aqui pretendo é contribuir humildemente para que cada um compreenda a informação que lhe é dada, para que possa pensar pela sua própria cabeça.
Isso- que cada cidadão pense pela sua própria cabeça- é essencial para que haja uma democracia plena, e é o que está a faltar, não só em Portugal, mas em todas as sociedades da Europa. Muitos dos que são da minha geração, dos que nasceram nos anos 80 e 90, ficaram muito marcados na sua relação com a cidadania por um “não querer saber” transmitido pelas gerações anteriores, desiludidas com uma política em que parecia que todos eram iguais e, ao invés, numa sociedade onde tudo ia correndo mais ou menos “sobre rodas”, sem necessidade de grandes actos colectivos de cidadania.
Assim nasceu uma geração à qual a
política e a intervenção cívica pouco dizem, em que os meios académicos (que
foram responsáveis por tantas mudanças na Europa dos últimos dois séculos)
pouca influência têm no rumo da sociedade; em suma, uma geração que tem
aspirações e ideias, mas que não se consegue fazer ouvir. É esse desinteresse-
culpa de todos!- que urge combater, e aí surge esta necessidade de dar um fio
condutor às notícias- porque só percebendo-as se consegue ter opinião, e a
confusão noticiosa em que vivemos, em que pouco ou nada é explicado a quem quer
perceber, é uma das grandes responsáveis pelo desinteresse de boa parte da
minha geração: mesmo quem queira informar-se perde-se no meio do caos
informativo.
Espero sinceramente que este
blogue que hoje crio se torne um ponto de encontro para quem gosta de saber em
que areias se move no mundo em que vive. Eu, desde já, que não estou ligado a
nenhum partido político, comprometo-me a ser o mais isento e claro que consiga.
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