terça-feira, 28 de outubro de 2014

Eleições no Brasil, Ucrânia, Tunísia e Uruguai

O passado fim-de-semana ficou marcado por importantes eleições em vários países-chave para importantes regiões estratégicas do Mundo. No Brasil, Dilma Rousseff foi reeleita Presidente; na Ucrânia, os partidos pró-União Europeia tiveram uma importante vitória; na Tunísia, os islamitas perderam para o partido Nidaa Tounès; e no Uruguai vai ser necessária uma segunda volta para escolher o novo Presidente.

Vamos, então, por partes:

Eleições Presidenciais no Brasil

Dilma Rousseff (do PT, de esquerda) conseguiu ser reeleita "Presidenta", embora por uma curta margem. Foram, na verdade, as eleições mais renhidas desde que o Brasil voltou a ser uma democracia, no final dos anos 80. Os votos dos Estados do Nordeste- principalmente Pernambuco, Ceará, Bahia, Maranhão, Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte, onde Dilma obteve esmagadoras percentagens à volta dos 70% dos votos- foram decisivos para esta vitória. Aécio Neves (do PSDB, de centro-direita) obteve as maiores votações nos estados mais ricos, a sul- São Paulo, Paraná e Santa Catarina-, mas estas vitórias não chegaram para vencer. Noutros estados importantes a eleição foi mais renhida, com Dilma a conseguir vencer no Rio de Janeiro com 55% dos votos, e em Minas Gerais (estado de origem dos dois candidatos) com 52%.  

A vitória de Dilma, mais ligada à esquerda e às camadas mais pobres da população, fez a Bolsa de São Paulo cair vertiginosamente e a moeda brasileira (o real) desvalorizar, uma vez que os empresários e os investidores preferiam Aécio Neves. Com Dilma, será de esperar uma maior aposta nos programas sociais e num mercado de trabalho regulado, com legislação mais favorável aos trabalhadores. O grande desafio do novo governo, que estará no poder até 2018 (completando o maior período de governação ininterrupta de sempre do PT, de 16 anos), será dar a volta à crise económica que o Brasil parece começar a atravessar devido à estagnação da sua economia. Será ainda com Dilma no poder que o Rio de Janeiro receberá os Jogos Olímpicos de 2016.
 

Eleições Legislativas na Ucrânia

Na Ucrânia, realizaram-se as primeiras eleições legislativas (para escolher o Parlamento e o Governo) desde a revolução e o início da guerra civil.  O chamado "Bloco Petro Poroshenko", de apoio ao Presidente da República eleito este ano, venceu as eleições com uma pequena vantagem sobre a Frente Popular do até agora Primeiro-Ministro provisório Arseni Yatseniuk. Ambos defendem uma aproximação à União Europeia, tal como o terceiro partido mais votado, o "Auto-Ajuda", formado por militares que combatem na guerra civil contra os pró-russos. Em quarto lugar ficou o Bloco da Oposição, formado por apoiantes do anterior Presidente Viktor Ianukovitch, pró-russo, que foi deposto durante a revolução de Fevereiro deste ano.

Resultados das eleições deste domingo (infografia da Euronews)

Como ninguém obteve mais que 50% dos votos necessários para haver uma maioria absoluta, já começaram as negociações para a formação de um novo governo, que se espera seja formado por uma aliança de partidos pró-União Europeia, que obtiveram, em conjunto, mais de 3/4 dos votos. Petro Poroshenko, ao comemorar a vitória, disse que o objectivo do novo governo será fazer todas as alterações legais necessárias à integração na União Europeia, sendo que apontou o objectivo de ver a Ucrânia entrar na União já em 2020.

O Governo Russo já aceitou os resultados eleitorais, embora os separatistas pró-russos não o tenham feito. Nas regiões que controlam (Donetsk e Luhansk, no leste do país), as milícias russófonas não permitiram a realização destas eleições, pretendendo realizar uma votação controlada por si no próximo dia 2 de Novembro que, naturalmente, não é reconhecida pelo Governo Ucraniano.

Eleições Legislativas na Tunísia

Na Tunísia realizaram-se as primeiras eleições legislativas desde a chamada "Revolução de Jasmim", em que vastas manifestações levaram à fuga do ditador Ben Ali, em 2011, inspirando protestos semelhantes por vários países que deram origem à chamada "Primavera Árabe". 

Mesa de voto em Tunes, capital da Tunísia
 
Após a revolução, foi eleita uma Assembleia Constituinte, com o objectivo de escrever a nova Constituição. Estas eleições tinham sido ganhas por um partido islamista moderado- o Ennahda. No entanto, este domingo, os islamistas foram derrotados por um partido laico- o Nidaa Tounès-, pelo que é expectável que a revolução tunisina (a mais bem-sucedida de todas as da Primavera Árabe) continue por um caminho mais moderado e próximo ao Ocidente, não havendo tentações, como tem havido noutros países, de implementar regimes dominados pela lei islâmica, o que poderia constituir um risco para a Europa, que está apenas a escassos quilómetros de distância da Tunísia e dos seus vizinhos.

Eleições no Uruguai:

Presidente cessante José Mujica chega de "Carocha" para votar nas eleições deste domingo

Após quatro anos de mandato do Presidente José Mujica, um agricultor conhecido como "o presidente mais pobre do Mundo" pela sua simplicidade ( doa a maior parte do seu salário, vive numa casa modesta, conduz um velhinho "Carocha" e recusa praticamente todas as regalias próprias de um chefe de estado), o Uruguai foi às urnas para eleger o seu sucessor.

No entanto, tudo ficou adiado para uma segunda volta a realizar em Novembro. Isto porque o candidato do partido de Mujica, Tabaré Vázquez, não conseguiu os 50% dos votos necessários para ser eleito à primeira. Em segundo e terceiro lugares ficaram, respectivamente, Luis Lacalle Pou e Pedro Bordaberry, ambos de partidos de centro-direita. Bordaberry já anunciou o seu apoio a Lacalle Pou para a segunda volta.

Sem comentários:

Enviar um comentário